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Óleos essenciais e pressão arterial – conceitos e pesquisa

Os óleos essenciais podem alterar a nossa pressão arterial. Eles possuem moléculas químicas que atuam ativamente no nosso corpo, modificando nossa fisiologia cardiovascular.

 

Para entendermos essa interação dos óleos essenciais com o nosso coração e circulação, primeiro precisamos falar dos conceitos e processos responsáveis pelo equilíbrio do sistema cardiovascular relacionados a nossa pressão arterial.

A pressão arterial é responsável pela entrega adequada de sangue aos nossos tecidos. O sangue leva oxigênio e nutrientes às células e recolhe gás carbônico e metabólitos para serem excretados pelo nosso pulmão e rim.

A expressão “pressão arterial” refere-se a pressão exercida pelo sangue contra a parede das artérias. A pressão sistólica ou pressão máxima, se deve a fase de contração do coração, chamada de sístole cardíaca. Durante a sístole, o coração ejeta o sangue com pressão máxima na circulação arterial. Quando o coração relaxa recolhendo o sangue da circulação venosa, temos o valor da pressão diastólica ou pressão mínima. Assim, mantemos a circulação do sangue, que percorre por todo o nosso sistema cardiovascular, irrigando os tecidos do nosso corpo.

Quem controla esses mecanismos da pressão arterial são os nossos Sistemas Nervoso, Endócrino, Cardiovascular e Urinário.

Quando o nosso coração bate mais rápido e mais forte, nossa pressão arterial aumenta. Quando aumentamos a retenção de líquidos no nosso corpo, a nossa pressão também aumenta. O mesmo ocorre quando nossos vasos sanguíneos da pele ou de outros órgãos sistêmicos se contraem. Quando esses vasos se dilatam, a pressão arterial cai.

O sistema nervoso autônomo é capaz de alterar a nossa pressão em intervalos de milissegundos. Ele se divide em Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático. O Sistema Nervoso Simpático está aumentado em estados de alerta (luta ou fuga) que exigem respostas rápidas com gasto de energia para nossa sobrevivência frente a situações de risco iminente potencial, real ou imaginário. Assim, o coração bate mais rápido e mais forte, os vasos sanguíneos periféricos se contraem, a circulação nos músculos cardíacos e esqueléticos aumentam, a glicose no sangue aumenta favorecendo o suprimento de energia necessário para a situação crítica. A pressão arterial aumenta quando nos assustamos, durante a atividade física e durante períodos de estresse agudo. No equilíbrio fisiológico esse estado é temporário, retornando ao repouso após a exigência.

Quando o perigo potencial cessa, o corpo retorna aos seus parâmetros de repouso. No estado de repouso, estamos aptos a fazer digestão, restaurar a energia e funções corpóreas. Então, o sistema parassimpático predomina em equilíbrio perfeito com o tônus simpático diminuído.

 

Na nossa sociedade, as demandas e tensões da vida externa podem confundir os nossos sistemas de equilíbrio internos. Constantemente, lidamos com perigos potenciais imaginários e reais; corremos do leão 24 horas por dia, muitas vezes sem intervalos de descanso para o nosso corpo e mente. O balanço do Sistema Nervoso Autônomo se desequilibra em direção ao Simpático. Hormônios como cortisol e adrenalina se elevam na nossa circulação sanguínea com vários efeitos no nosso corpo, incluindo o aumento mantido da pressão arterial.
Quando ingerimos muito sódio retemos água, a pressão aumenta e o nosso corpo responde eliminando o excesso pela urina. Assim, voltamos à pressão arterial normal. Se ingerirmos sódio repetidamente e diariamente, o corpo modifica o seu sensor de controle de pressão e modifica os seus parâmetros de regulação para mais, mantendo a pressão arterial elevada constantemente.

As hipertensões podem ser primárias ou secundárias, de causas genéticas, idiopáticas ou devido ao estilo de vida. Os fármacos utilizados para tratamento podem ser os diuréticos, betabloqueadores, bloqueadores de canal de sódio, vasodilatadores ou inibidores da ECA (inibidores da conversão da enzima da angiotensina). Todos eles atuam em um ou mais mecanismos de controle da pressão arterial, como a frequência e contração do coração, diâmetro de dilatação dos vasos sanguíneos ou eliminação de líquidos.

Tisserrand e Young, em 2014, citam várias moléculas presentes em óleos essenciais que têm o potencial de diminuir a nossa pressão arterial, como o bisabolol, carvacrol, óxido b-cariofileno, eugenol, (-)-mentol, timol, (E)-anetol, cinamaldeído, linalol, citronelol, nerol, geraniol, alfa-terpineol, 1,8-cineol, citral, carvona, alfa pineno e eugenol.

 

Óleos essenciais como lavanda, semente cenouras, alho, ylang ylang, cedro, bergamota, sândalo e gerânio também demonstraram efeitos de diminuição na pressão arterial, segundo Tisserrand e Young (2014).

Santos e cols., em 2011, revisaram os efeitos dos monoterpenos no sistema cardiovascular demonstrando atividade de vasodilatação, modulação da freqüência cardíaca e hipotensão causada por vários monoterpenos, como o timol, carvacrol, 1,8 cineol, mentol, alfa-terpineol, alfa-terpine4ol, alfa-pineno e p-cimeno. Segundo os autores, os monoterpenos podem ser úteis como agentes de prevenção e / ou tratamento de doenças cardiovasculares.

Uma revisão realizada por Andrade e cols., em 2017, também mostrou a atividade potencial de várias moléculas terpênicas na função cardiovascular, como a timoquinona, cinamaldeido, ácido cinâmico, alfa bisabolol, carvacrol, borneol, carvona, citral, citronelal, linalol, mentol, alfa-terpineol, 1,8-cineol.

Haze e col. (2002) mostraram que a inalação dos óleos essenciais de pimenta negra, estragão, funcho doce e grapefruit aumentaram a atividade simpática e pressão arterial média, enquanto os óleos essenciais de patchouli e rosas diminuíram a pressão arterial com diminuição da concentração de adrenalina plasmática.

A inalação por 10 minutos do óleo essencial de grapefruit elevou a pressão arterial associada a diminuição dos níveis de cortisol em um experimento realizado em humanos. Trabalhos anteriores em modelos animais demonstraram tanto o efeito do grapefruit como o do componente limoneno na elevação da pressão arterial, associado ao aumento nos níveis plasmáticos de adrenalina, após inalação por ratos durante 10 minutos.

O efeito anti-hipotensivo do Rosmarinus officinalis foi demonstrado em um estudo clínico prospectivo realizado em 32 pacientes que receberam 1 ml desse óleo essencial por ingestão, a cada 8 horas, por 44 semanas. O alecrim produziu um efeito estimulador associado a melhora na qualidade de vida dos pacientes. Outros autores também demonstraram o aumento da pressão arterial causada pelo alecrim pelas vias inalatória e tópica.

Segundo Tisserrand e Young (2014), os óleos de eucalipto, cânfora, pinho, tomilho e hortelã devem ser riscados das listas de advertência para uso em pessoas com hipertensão. Óleos essenciais de hissopo e sálvia são contraindicados somente em doses altas orais em pacientes hipertensos, baixas doses provavelmente são hipotensoras. Os óleos essenciais que apresentam pequeno risco pela via inalatória incluem o grapefruit, limão, alcarávia, pimenta preta, erva-doce, estragão e outros óleos ricos em carvona ou limoneno, os quais aumentam de forma bem leve a pressão arterial segundo estudos em humanos.

Podemos observar que os efeitos dos óleos essenciais no sistema cardiovascular são diversos devido às diferentes estruturas químicas de seus constituintes, as particularidades de interação dessas moléculas componentes em cada óleo essencial e, também as vias de administração utilizadas. Ainda faltam pesquisas corroborando as ações encontradas em experimentos in vitro e cobaias e, também faltam ensaios clínicos para que possamos estabelecer formas seguras de administração e posologia em diferentes situações clínicas. Mas, já podemos concluir que o uso de óleos essenciais em pessoas estáveis, por inalação se faz mais seguro, respeitando os intervalos e tempo de administração adequados e estabelecidos de forma individual.

 

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Beijos aromáticos,

Dra. Gioconda Assumpção

 

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